(Quase) Mais do mesmo
Por Mayer Kafrouni - Mais um dia de Copa e todo mundo na expectativa se teríamos enfim uma rodada emocionante, digna da grandeza do torneio. Bem, quase isso.
Primeiro, Holanda mostrou algo inédito, pelo menos desde 1978. Um futebol não tão bonito, mas seguro, regular e eficiente. Isso é bom, pois a Holanda sempre jogou bonito, mas nunca levou o caneco pra casa. Dessa vez, querem ser diferentes. O futebol holandês nesta Copa não é tão maravilhoso quanto vimos em mundiais passados, mas parecem agora priorizar mais pela técnica para ganharem enfim. Eu particularmente gostei do que vi, e o resultado foi legitimo e merecido. Mesmo porque, Holanda é a seleção que torço neste mundial. Agora, as polemicas deveriam ter ficado de lado. Os holandeses foram unanimes em reclamar da bola (eles são patrocinados pela Nike, diga-se de passagem), da altitude (quem mora a baixo do nível do mar sempre vai reclamar de altitude) e das vuvuzelas. Creio que essas questões devem ficar de lado, para serem discutidas depois da Copa, para torneios futuros. Agora já foi. A bola já foi escolhida, as cidades-sedes com seus estádios e a cultura local. Nem vale a pena chorar. Ninguém vai ouvir. E claro, destaco o contra-ataque dinamarquês, muito forte e de grande pegada.
Depois, comecei assistir ao jogo do Japão e Camarões sem muito interesse. Um jogo morno e com decepção. Eto’o jogou por acaso? Incrivelmente mal posicionado. Mas depois torci pelo Japão, apesar de torcer pelo sucesso das seleções africanas neste ano. O Japão nunca, isso mesmo, nunca venceu fora de suas ilhas. E foi muito bom ver o Japão ganhar pela primeira vez. E ovacionada de vuvuzela para Honda. Apesar do nome, nada tem haver com o famigerado lutador da Capcom. Incrivel como ele se posicional no momento do Gol. Em um intervalo de 1 minuto, ele saiu do setor direito do campo, e estava já posicionado no setor esquerdo, perto das traves. Essa característica valorizo muito.
Bom, Itália e Paraguai já é um clássico, podemos dizer. Jogo de muita marcação e muita correria. Impressionante a marcação dos “falsetas” paraguaios. A marcação era no campo de defesa da Italia. Sem chances de saída de bola para esquadra azul. Assim, só poderia sair ganhando. Belíssimo gol. Quanto a Italia, a visão de jogo é espetacular. Invertidas, assistências, cruzamentos. É uma pena que a finalização foi muito a desejar. Tanto é que só saiu gol por causa da falha (de novo) do goleiro. Pelo menos não foi frango né Green? Mas a Italia é Italia. Eles sempre começaram mal e deu no que deu. Quatro títulos! Mas se defesa ganhasse torneios, com certeza o Paraguai já teria diversos titulos. Sendo assim, no jogo, tudo acabou em pizza e macarronada, mas não a original, se é que você me entende.
Mas, no geral, mais do mesmo. Pouquíssimos gols. Favoritas deixando a desejar em muitos casos. O que é uma pena. Bem que poderiam agir como a Alemanha, que nem quis saber se deveria se expor muito por ser as primeiras rodadas. Jogou um bolão, apesar da fraca Austrália. Uma pena não termos comentado a rodada dela, pois 4x0 é sempre pra se comentar.
Mayer Kafrouni é designer, idealizador da The Flaming Pie (junto com Soraia Kafrouni) e comentárista meia-boca de futebol. Sua TV fica obrigatóriamente ligado nas quartas e domingos (e quinta e segunda também, afinal, tem bate-bola do dia seguinte).






